E assim começou, cheio de recadinhos extensos e incovenientes, é, incovenientes, porque sempre são regados a cópias e frases prontas. Sinceramente, em nada isso me agrada, passa longe, chega a me deixar intensamente aborrecido. Vejo a falta de criação mesmo no discurso daqueles que se implicam em saudar o que vem a diante, dispostos à renovação. Melhor é começar o ano comendo imbu com a sobrinha, espírito de criança, gentil e cheio de encantamento, tão espontâneo, que dá vontade de provar esse gosto "azedo" a todo instante pelos próximos dias da nova era que se inicia. Isso mesmo, então que venha o "azedo", mas tão construtivo e inovador que me alegra, me fascina e me instiga a desejá-lo, porque nem só de carne vivem os homens, né, moço? Mas de movimento, de um curso cheio de percursos e de verde, do "azedo" do imbu, acompanhado do sorriso de uma menina apenas de vestido, porém de alma nada rosa.
domingo, 2 de janeiro de 2011
domingo, 26 de dezembro de 2010
..:: Deus e o diabo em mim ::..
Sou a avenida cheia
De gente rápida e feia.
Sou um sol brilhante
De um dia incandescente
Sou luz, calor calante.
Sou toda gente em mim
Santo e demônio em mim
Céu e inferno em mim.
Trechos de "Santo e Demônio" - Fagner e Ricardo Torres.
Sou aquilo que em mim enxergas, mas não me peça pra ser só isso!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
..:: Mais do que o instante, quero seu fluxo ::..
O presente é o instante em que a roda do automóvel em alta velocidade toca minimamente no chão. E a parte da roda que ainda não tocou, tocará em um imediato que absorve o instante presente e torna-o passado.
Mais que um instante, quero seu fluxo. Nova era, esta minha, e ela me anuncia para já. Tenho coragem? Por enquanto estou tendo. Venho do longe - de uma pesada ancestralidade. Eu, que venho da dor de viver. E não a quero mais. Quero a vibração do alegre. Mas quero também a inconsequência. Liberdade? É o meu último refúgio, forcei-me à liberdade e aguento-a não como um dom, mas com heroísmo: sou heroicamente livre. E quero o fluxo.
Estou à salvo? Enxugo a testa molhada. Ergo-me devagar, tento dar os primeiros passos de uma convalescença fraca. Estou conseguindo me equilibrar.
Estou à salvo? Enxugo a testa molhada. Ergo-me devagar, tento dar os primeiros passos de uma convalescença fraca. Estou conseguindo me equilibrar.
Não, isto tudo não acontece em fatos reais, mas sim no domínio de - de uma arte? Sim, de um artifício por meio do qual surge uma realidade delicadíssima que passa a existir em mim: a transfiguração me aconteceu.
Trecho e adaptação de "Água viva" - Clarice Lispector.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
..:: Passou, mas não passará ::..
E então passou, como as águas que transbordam em alegria e nem tanto em calmaria, mas agora tenho paz? Jamais. Agora é que a correnteza vem forte, para arrebatar aquilo que se chama de sonho e de perspectiva, carregando em si a possibilidade dos significados daquilo que somos. Que seja em meio a caminhos intranquilos, tudo bem, mas me deixa carregar esse peso, águas insanas, só me leve para bem perto daquilo que mais almejo: ser do outro e fazer para o outro. Assim, ao passar a próxima chuva, já não mais tenha pressa, nem correnteza, só certezas, ou não!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
..:: Negar-se ::..
Engraçado, vivemos em uma constante trincheira entre a eficiência dos "humanos" e a razão dos "exatos", nessa discórdia em que se prega a nossa inutilidade perante a ciência. Diante disso, o que eu quero observar é que nós devemos ocupar, sim, os espaços, incomodar e inclusive desagradar, porque não pedimos para nascer humanos e não carregaremos para sempre o estigma de padecer em meio às formas e técnicas, sem nos fazer e nos perceber humanos, pois o homem só se faz homem quando age e se reconhece como tal. Se mantemos em nossas mentes e em nosso cotidiano essa repulsão ao outro, à obra do outro, à arte do outro, estamos negando a nossa própria condição de SER HUMANO.
domingo, 21 de novembro de 2010
..:: Dia poético, pra não dizer agitado ::..
Quem esteve aqui
viu barquinho de gazeta
ancorar no mistério
Notas musicais
dentre bolas de sabão
que de nossas serenatas vieram
Flores que ofertamos
e que nunca morrerão
em vasos e jarros de bronzeiam
Os anjos, de onde vem?
sua vida, bem vinda, na trilha
os livros não são sinceros
Quem tem Deus como império
no mundo, não está sozinho
ouvindo sininhos
"Magamalabares", de Carlinhos Brown
Dia de movimento, de correr, brincar e congregar. Que assim sejam os 365 dias de todos os anos de minha existência.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
..:: O que ser ela? ::..
Olha, será que ela é moça?
Será que ela é triste?
Será que é o contrário?
Será que é pintura?
Se ela dança no sétimo céu
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida?
Olha, será que é de louça?
Será que é de éter?
Será que é loucura?
Será que é cenário?
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida?
Olha, será que é uma estrela?
Será que é mentira?
Será que é comédia?
Será que é divina?
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem biz
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida?
Trechos de "Beatriz" - Edu Lobo e Chico Buarque
Só porque, a princípio, eras apenas uma miragem, eu a contemplava e queria fazer parte de sua vida. Hoje, já não tenho dúvidas da sua concretude, pois é imensamente presente em mim.
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