"Não basta dizer que se é consciente de algo; é-se, também, consciente de algo como sendo algo"



terça-feira, 9 de março de 2010

..:: Pena de morte ::..


Os jornais que meu pai levava para casa, ao retornar do trabalho, consistiam em minha leitura predileta, tão logo passei a dominar, na década de 1950, o código alfabético. Trazidos de trem, os diários do Rio só chegavam a Belo Horizonte no início da tarde. Como a TV ainda não entrara em nossa casa, após o jantar, a família reunia-se na sala de visitas para ler as notícias.

Influenciado pelo americanismo de pós-guerra, acompanhei horrorizado os passos do casal Rosenberg rumo à cadeira elétrica, acusado de passar aos russos segredos nucleares. Em setembro de 1949, a União Soviética explodira sua primeira bomba atômica, detonando nos EUA uma histeria coletiva, medo de que a próxima caísse sobre a nação que se considerava imune a um ataque externo.

Leitor de histórias em quadrinhos, aprendi que os EUA estavam protegidos pelos superpoderes do Capitão América, pela miraculosa aparição do Super-Homem, pela presteza vigilante da dupla Batman e Robin. Deus sempre salvava a América. Julius e Ethel Rosenberg foram apontados como os traidores que permitiram a Stalin possuir a mais poderosa das armas.

De tanto olhar as fotos em O Globo, gravaram-se em mim os rostos de Julius, 35 anos, e de Ethel, dois anos mais velha do que ele, na prisão de Sing Sing, em Nova York. Ele, com óculos de lentes brancas e um bigode de vassoura que lhe imprimiam aspecto de tabelião caprichoso. Ela, com os cabelos negros armados sobre o rosto oval, a boca pequena e o porte robusto. Nunca se provou que eram de fato espiões, mas o aquecimento da Guerra Fria exigia, para aplacar o pavor ocidental, um bode expiatório.


A pena de morte pareceu-me apropriada naquele caso. Tratava-se de impedir que a exceção virasse regra, pondo em risco a segurança do Mundo Livre. Passei dias sob o impacto da foto do casal amarrado à cadeira elétrica, suas cabeças cobertas por capacetes repletos de fios, malditos astronautas a caminho do inferno. Foram executados a 19 de junho de 1953.

O velho buldogue Edgar Hoover, chefe do FBI, felizmente estava a postos na soleira da porta de nossas casas, defendendo-nos da ameaça comunista. Mas não me conformei, pouco depois, com a execução de Caryl Chessman, também nos EUA. Li suas cartas. Se não me convenci de sua inocência, não me restava dúvida de que se tratava de um homem recuperado para a sociedade. Por que matar um criminoso que o cárcere transformara num intelectual?

Nunca mais aceitei a pena de morte. O ser humano é um milagre de Deus e uma obra-prima da natureza. Culpada é a sociedade que faz dele um monstro e, ao puni-lo, é incapaz de recuperá-lo para o convívio social. Por isso, fico assustado quando vejo lideranças políticas, inclusive de esquerda, clamarem por prisão perpétua ou pena de morte. Não é o peso da sentença que inibe a criminalidade. É a certeza da punição. A impunidade estimula a transgressão da lei. A pena, transformada em vingança, condena a sociedade que a aplica.

Frei Betto

domingo, 7 de março de 2010

..:: CINEMA NO VALE ::..

 


Ainda baqueado com a emocionante exibição do filme "O contador de histórias", venho a indagar sobre o que realmente temos acesso em nossos cinemas, será que me refiro aos inúmeros filmes que nada ou minimamente nos dizem alguma coisa e que apenas nos oferecem o tão requisitado entretenimento ou será que faço uma crítica aos nossos telespectadores da 7ª arte que assistem aos vídeos de forma superficial?! Acho que as duas proposições são pertinentes, mas vamos caminhar em nossas indagações... será que uma coisa não tem influência sobre a outra?! Ou melhor, o chamado cinema comercial, que deve constituir 99,9% das nossas salas, mantém ou não uma influência sobre a forma como as pessoas percebem as questões abordadas em um filme?! Super produções, ação, aventura, sexo, máfia, carros, magia, vampiros, um mix de terror e graça está disponível e pronto para ser consumido, homens e mulheres bonitos e famosos, os heróis que sempre desejamos e um ideal de mundo que nos é imposto mesmo nas grandes telas.

Feitos os meus comentários, faço agora uma indicação, relato a experiência de assistir um filme encantador, que propõe reflexão e que traz, mesmo nas mentes dos mais desavisados, o debate sobre nossos heróis, nossa perspectiva de mundo, nossas riquezas e virtudes, paixões, sentimentos e o que temos de melhor e pior. Estou me referindo ao que experimentei no CINEMA NO VALE, uma proposta de novas possibilidades de produções cinematográficas que não temos acesso. Parabenizo as pessoas envolvidas pela grande iniciativa e desejo que esse projeto seja um grande sucesso!

..:: Pra ManOela ::..



Essa pessoa chegou assim meio que sem propósitos e me encheu de possibilidades... foi possível passar em física e matemática, possível rir nos intervalos, falar de música, bandas e outras coisas que são de jogar fora, mas que fazem uma falta quando o fazemos, possível comprar uma pipoca e comer cinco pessoas sem reclamar, possível de sair da escola e continuar enchendo a paciência da pessoa pra não deixar de ser seu amigo. Mas acontece que sempre reclamei que ela, em seus limites e possibilidades, não me mostrava mais até onde seria possível crescer, mesmo assim, tentava a todo custo me fazer acreditar que aquilo era o seu melhor. Bom... eis que entre idas e vindas e algumas tentativas a pessoa consegue realmente me mostrar como em uma conta da matemática que tanto me ensinou que podia ser maior... e ela conseguiu, mas agora foi embora, calma, ela não morreu! Ela foi embora pra provar que é melhor, que sabe fazer o melhor, não pra satisfazer o meu ego, vai provar ao mundo que ela é assim GRANDE, mesmo não sendo proporcional ao seu tamanho físico... kkkkk...  Bons caminhos, minina feia!

sábado, 6 de março de 2010

..:: Algo para começar as coisas ::..



Nunca fui um blogueiro cativo, sempre avistava aqueles anúncios de amigos divulgando seus portais a serem apreciados pelo grande público ou, de menos pretensiosos, pelos que comungam dos mesmos caminhos e concepções, visto que parte destes ambientes virtuais se propõem a expor os caminhos e concepções dos seus respectivos donos. Pois bem, aqui estou eu, com a sensação de pertencimento a esse último grupo, condenado a escrever aqui o que acho conveniente e o que advém de meus direcionamentos políticos, culturais e informais. Nada mais justo, nesse contexto, que justificar o título do blog... Ora, pensei tanto (na tentativa de não trair meus caminhos e concepções) que acabei por colocar um nome assim... que não diz a que veio, que talvez esteja fadado ao insucesso, à falta de interesse, no entanto, analisemos:  em um diálogo, o que nos vem à boca quando não temos mais palavras para expressar determinados caminhos e concepções?! Bom... sejam bem vindos e sintam-se à vontade com as coisas aqui apresentadas... se quiser falar algo... as postas estão abertas!


Ahhh... se este blog cair em esquecimento, ainda assim há felicidade em mim... o que ponho aqui não passa de um registro, de um rabisco, daquilo que penso, tenho acesso e preciso alimentar, mesmo que de uma maneira tão particular. Escrita e leitura de um autor-expectador!